Freguesia da Batalha

Onde se semeou história e se colhe cultura

Igreja da Santa Cruz, Matriz da Batalha

Mandada construir por El-Rei D. Manuel I em 1514, para servir de matriz à paróquia batalhense criada pelo Prior Mor de Santa Cruz de Coimbra em 14 de Setembro de 1512.

Igreja Matriz

Igreja Matriz

Crê-se que o seu primeiro arquiteto foi Mateus Fernandes, mestre das obras do Mosteiro (e o único mestre sepultado no Mosteiro, numa campa rasa à entrada da Igreja conventual).

De certeza, sabe-se que o autor do pórtico manuelino do templo é o Mestre Boitaca (Boytac), genro e continuador de Mateus Fernandes, que assinalou as duas ombreiras do pórtico com a sua sigla – um b gótico.

Só em 1532 a obra é dada por terminada (aparecendo essa data também no pórtico).

Primitivamente, a igreja tinha uma empena com um campanário de três ventanas (nichos dos sinos) e um torreão, tudo substituído no princípio do século passado (século XX) pela atual torre sineira, em vista do adiantado estado de ruína em que o campanário e o torreão se encontravam. Foi responsável por esta obra o pároco batalhense Padre Dr. Joaquim Coelho Pereira.

Fachada principal da Igreja

Fachada principal da Igreja

A cúpula desta nova torre reúne elementos manuelinos e barrocos e enquadra-se perfeitamente no conjunto.

Serviu de matriz ou paroquial da Batalha até 1834, ano em que a matriz passa para o Mosteiro, conforme pedido do povo à Rainha D. Maria II, por o templo já estar muito arruinado. Em 1858, um sismo de grande intensidade derrubou-lhe a cobertura da nave.

Manteve-se em ruínas até 1938, ano em que ali se fizeram grandes obras de restauro, levando-se para ali o altar de mármore e respetivo retábulo da capela dos Sousas (Condes de Miranda do Corvo) que estavam na absidal junto à porta lateral do Mosteiro. Também foi para ali transferida do Mosteiro a pia batismal. Neste restauro também se introduziram ali, na nave e na capela-mor, os azulejos do século XVIII, provenientes do convento Ara-Coelis de Alcácer do Sal.

A igreja conservou o valioso retábulo Renascença, de pedra calcária, do altar da Santíssima Trindade, cuja confraria tinha a sua sede neste tempo. O altar que hoje está encimado por este retábulo, bem como o outro altar da nave, resultam das obras de 1938.

Detalhes do interior da Igreja

Detalhes do interior da Igreja

A abóbada da capela-mor é artesoada com fechos muito elaborados, tendo o central a pedra de armas do Rei D. Manuel I. As nervuras da abóbada como o arco que dá acesso à capela-mor são bem delineados e extremamente elegantes.

Texto gentilmente cedido pelo Sr. José Travaços Santos